Quando a dor persiste por meses, ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser uma condição real do organismo; entender isso é essencial para buscar ajuda séria
Muita gente que convive com dor há meses ou até anos já ouviu frases que machucam tanto quanto o próprio problema físico. “Isso é coisa da sua cabeça.” “Você está exagerando.” “É só estresse.” “Você precisa parar de pensar nisso.” Esse tipo de comentário, apesar de comum, parte de um erro grave: o de achar que, quando a dor não aparece claramente em um exame ou não tem uma causa visível para os outros, ela não é real.
Mas a ciência já mostrou que dor crônica não é frescura, não é fraqueza e não é invenção. Ela é uma condição verdadeira, com impacto direto no corpo, nos movimentos, no sono, na disposição e na qualidade de vida. E quanto mais esse sofrimento é minimizado, mais tempo o paciente leva para receber o cuidado que realmente precisa.
No Instituto Landim, esse é um ponto central do atendimento: tratar a dor com seriedade, respeito e base científica. Porque ninguém deveria passar meses tentando convencer os outros de que está sofrendo de verdade.
“A dor crônica é uma condição biológica real. O paciente não está inventando, exagerando ou querendo chamar atenção. Ele está vivendo um processo que precisa ser compreendido e tratado com responsabilidade”, explica Gilvan Landim, médico da dor e fundador do Instituto Landim.
Por que tanta gente ainda acha que dor crônica é exagero?
Parte desse preconceito vem da ideia de que a dor só é “válida” quando existe uma lesão evidente, um trauma recente ou uma alteração clara em exames. Quando isso não aparece de forma tão óbvia, algumas pessoas concluem rapidamente que o problema é emocional ou imaginário.
Só que a dor não funciona dessa maneira.
Nem toda dor depende de uma lesão aberta ou de uma inflamação ativa para existir. Em muitos casos, especialmente na dor crônica, o organismo já entrou em um estado de alerta prolongado. O sistema nervoso passa a processar os estímulos de forma alterada, deixando a percepção dolorosa aumentada. Isso significa que o corpo continua sentindo dor mesmo quando a causa inicial já mudou, diminuiu ou até desapareceu.
Esse processo é conhecido na medicina da dor como sensibilização. Em termos simples, é como se o “volume” da dor ficasse alto demais por tempo prolongado. O sistema nervoso se torna mais reativo, mais sensível e menos eficiente para “desligar” o alerta.
Ou seja: a dor é real, mensurável clinicamente e compatível com mecanismos biológicos bem descritos.
Quando a dor deixa de ser só um aviso
A dor aguda tem uma função importante. Ela avisa que alguma coisa aconteceu: uma torção, uma pancada, uma inflamação, um esforço excessivo. É um mecanismo de proteção. Em geral, ela melhora com o tratamento adequado e com o tempo.
Já a dor crônica segue outro caminho. Quando dura mais de três meses, volta repetidamente ou passa a limitar a rotina, ela deixa de ser apenas um aviso do corpo. Ela se transforma em um problema em si.
É nesse ponto que muitos pacientes começam a perceber mudanças importantes na vida:
- deixam de caminhar como antes;
- evitam subir escadas;
- passam a dormir pior;
- reduzem atividades físicas;
- trabalham com mais dificuldade;
- começam a depender de analgésicos;
- moldam a rotina em torno da dor.
Mesmo assim, ainda ouvem que “é bobagem” ou que precisam “ser mais fortes”. O resultado disso é devastador: atraso no diagnóstico, tratamento inadequado e, muitas vezes, agravamento do quadro.
O erro de dizer que é “coisa da cabeça”
Existe uma diferença importante que precisa ser explicada com clareza: emoções como estresse, ansiedade, tensão e cansaço podem influenciar a intensidade da dor, mas isso não significa que a dor seja falsa.
Essa distinção é essencial.
Uma pessoa com dor crônica pode perceber piora em períodos de sobrecarga, noites mal dormidas ou fases mais tensas da vida. Isso acontece porque o sistema nervoso, que já está sensibilizado, responde ainda mais intensamente a esses fatores. Mas a dor continua sendo real. O que muda é a maneira como o organismo a processa.
Dizer que a dor é “psicológica” como forma de desqualificar o sofrimento do paciente é um atalho perigoso. Isso faz com que a pessoa se sinta desacreditada, desamparada e, muitas vezes, envergonhada de continuar buscando ajuda.
Gilvan Landim alerta que esse tipo de resposta pode atrasar ainda mais o cuidado. “Quando o paciente escuta repetidamente que a dor dele é exagero ou invenção, ele tende a se calar, adiar a avaliação e aceitar limitações que não deveriam ser normalizadas. Isso atrasa o tratamento e piora a qualidade de vida.”
O que acontece no corpo de quem tem dor crônica
A dor crônica pode estar presente em diferentes regiões e condições. Entre as mais comuns estão:
- dor lombar persistente;
- dor cervical;
- dor no ombro;
- dor no joelho;
- dores articulares por artrose;
- dor após hérnia de disco;
- fibromialgia;
- cefaleias recorrentes;
- dores neuropáticas, como queimação, choque e formigamento.
Em muitos desses casos, o organismo passa a funcionar em um padrão de dor contínua. Isso provoca alterações importantes:
Maior sensibilidade aos estímulos
Movimentos comuns, que antes eram simples, podem passar a doer mais.
Redução da tolerância ao esforço
O paciente começa a sentir limitações em atividades básicas do dia a dia.
Ciclo de proteção e rigidez
Por medo da dor, a pessoa se movimenta menos. Com isso, perde força, mobilidade e condicionamento.
Sobrecarga de outras estruturas
Ao tentar compensar uma região dolorida, o corpo pode acabar criando novas dores.
Dependência de estratégias momentâneas
Remédios, repouso excessivo e adaptações improvisadas passam a fazer parte da rotina.
Por isso, a dor crônica precisa ser enxergada como algo complexo, que exige avaliação individualizada e um plano terapêutico estruturado.
A dor invisível também existe
Um dos pontos mais difíceis para muitos pacientes é lidar com o fato de que a dor nem sempre é visível para os outros. Quem olha de fora pode ver uma pessoa em pé, trabalhando, sorrindo ou cumprindo tarefas e concluir que está tudo bem. Mas por trás disso pode haver dor ao caminhar, ao se levantar, ao sentar, ao dormir ou até ao permanecer parado.
Esse tipo de sofrimento silencioso costuma gerar ainda mais incompreensão. A pessoa continua funcionando, mas à custa de esforço, limitação e exaustão. Muitas vezes, ela se acostuma a viver em modo de adaptação constante, reduzindo o próprio mundo sem perceber.
É por isso que a escuta clínica é tão importante. O especialista em dor não avalia apenas o exame ou a imagem. Ele avalia a história, o padrão da dor, o impacto funcional, as limitações e o que aquele quadro representa na vida real do paciente.
Diagnóstico não é adivinhação: é escuta e análise
Ao contrário do que muita gente pensa, o diagnóstico da dor crônica não depende apenas de uma ressonância ou tomografia. Exames ajudam, mas não contam tudo sozinhos.
A avaliação correta passa por perguntas importantes:
- há quanto tempo essa dor existe;
- onde ela aparece;
- como ela começou;
- o que piora e o que melhora;
- quais atividades foram afetadas;
- se há piora ao acordar, caminhar, subir escadas ou trabalhar;
- se existe uso frequente de medicação;
- como a dor mudou a rotina.
Essa escuta não é subjetiva demais. Pelo contrário: ela é uma ferramenta clínica essencial na medicina da dor. É a partir dela que o especialista consegue entender se a dor é aguda, persistente, articular, muscular, neuropática, degenerativa ou multifatorial.
Por que o tratamento precisa ser levado a sério
Minimizar a dor tem um custo alto. Quanto mais o paciente posterga a busca por ajuda, maior a chance de o quadro se consolidar, gerar compensações e limitar movimentos de forma mais profunda.
O tratamento da dor crônica não deve se resumir a “tomar um remédio quando apertar”. Essa lógica costuma falhar porque age apenas sobre o pico do sintoma, sem enfrentar o problema de forma completa.
No Instituto Landim, a proposta é justamente o oposto: entender a origem da dor, o estágio do quadro e o impacto funcional para construir um tratamento individualizado. Dependendo do caso, a abordagem pode incluir:
- avaliação médica especializada em dor;
- procedimentos intervencionistas guiados por imagem;
- radiofrequência, quando indicada;
- terapias regenerativas, como iPRF e BMA, em casos selecionados;
- fisioterapia individualizada;
- orientações sobre movimento, ergonomia, postura e hábitos de vida;
- reavaliações e acompanhamento da evolução.
O objetivo não é apenas reduzir a dor em um momento específico, mas recuperar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.
Acolher não é “passar a mão na cabeça”
Existe outro engano comum: achar que levar a dor do paciente a sério significa ser permissivo ou “alimentar” o problema. Na verdade, acolher é parte de um tratamento responsável.
Levar a sério significa reconhecer o sofrimento como legítimo, investigar corretamente e propor um plano de ação realista. Não é dizer que a pessoa deve parar a vida. Também não é sugerir que “não há nada a fazer”. É justamente o contrário: é mostrar que existe explicação, existe estratégia e existe caminho de tratamento.
“Acolher o paciente não é concordar com a dor como destino. É reconhecer a realidade do quadro e agir com técnica para devolver função e qualidade de vida”, resume Gilvan Landim.
O perigo de desistir de buscar ajuda
Talvez um dos maiores danos do preconceito contra a dor crônica seja fazer o paciente desistir. Depois de ouvir repetidas vezes que não tem nada, que é exagero ou que é “só nervosismo”, muitas pessoas deixam de procurar avaliação especializada.
Elas seguem convivendo com:
- dor ao levantar da cama;
- rigidez ao longo do dia;
- limitação para trabalhar;
- medo de fazer esforço;
- redução da vida social;
- uso constante de remédios;
- piora progressiva da mobilidade.
Esse silêncio é perigoso. Quanto mais tempo a dor se mantém sem abordagem adequada, mais a vida do paciente vai sendo ajustada para caber dentro da limitação.
E essa não deve ser a regra.
Você não precisa provar para ninguém que sente dor
Um ponto importante para quem convive com dor crônica é este: você não precisa convencer o mundo de que está sofrendo para merecer cuidado. O fato de outras pessoas não entenderem o que você sente não torna a sua dor menor, menos legítima ou menos importante.
Dor crônica é uma condição real. Ela tem base biológica. Ela altera rotina, sono, mobilidade e funcionalidade. E ela precisa de tratamento sério.
Se você sente dor há meses, se já ouviu que é exagero, nervosismo ou “coisa da sua cabeça”, talvez o que esteja faltando não seja resistência, e sim uma avaliação com quem entende da ciência da dor.
No Instituto Landim, esse cuidado começa com escuta, respeito e investigação criteriosa. Porque ninguém deve viver sendo desacreditado quando o assunto é a própria dor.


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